Pulmão do mundo. Riqueza e exuberância de flora e fauna. Ameaçado de
extinção. Ao escutar essas expressões, podemos pensar em uma floresta.
Na Amazônia, por exemplo. A maior parte dos esforços de proteção
ambiental e de propaganda de espécies em perigo está voltada para a
fauna e flora terrestres. Árvores sendo desmatadas e animais sendo
traficados ilegalmente são algumas das imagens mais comuns. Pouco se
fala sobre os oceanos e mares, que, juntos, compõem essa enorme massa de
água que cobre 70% do planeta, une os continentes e continua cheio de
mistérios.
Os mares já foram vistos como um lugar onde monstros terríveis comiam
aqueles que ousavam se aventurar e o horizonte era um precipício que
aguardava os navegantes. Hoje, mapeamos cada metro da superfície
marinha, navios gigantescos viajam com minérios e produtos, exploramos a
pesca e os recursos naturais, mas, ainda assim, não conhecemos a fundo a
dinâmica da vida submarina. Um estudo chamado Censo da Vida Marinha,
feito durante a primeira década dos anos 2000, mostrou que 80% das
espécies ainda não foram documentadas, mas, por mais que não saibamos
muito sobre o que há abaixo da superfície, cerca de metade do oxigênio
que respiramos é produzido por algas marinhas e outros seres
microscópicos espalhados por todo o planeta.
Uma pergunta que poderia surgir é: se sabemos tão pouco, porque atuamos
de forma quase irresponsável com os oceanos, se eles são essenciais para
a sobrevivência humana? Diariamente, atacamos os mares. Parece haver
uma crença em uma magia escondida que torna aquele ambiente inalterável,
mas a realidade é outra. Dentre os principais desafios para o
equilíbrio dos oceanos estão a exploração predatória de peixes, as
toneladas de sacos plásticos que são jogados nos mares, esgoto e
produtos químicos despejados sem tratamento, o aumento de dióxido de
carbono na atmosfera que gera uma acidificação nos oceanos, afetando
diretamente os corais e alterando profundamente a química da vida,
enfim, isso sem contar os derramamentos de petróleo, como o que
aconteceu no Golfo do México, uma das regiões mais ricas em
biodiversidade marinha.
Construímos um mundo que demanda muito. Demanda energia, demanda
alimentos, demanda produção, demanda quantidade, que deseja poder
comprar mais a um preço menor, mas, como pergunta Sylvia Earle, “quanto vale a vida? Quanto vale o oxigênio em nossa atmosfera? Quanto vale um ambiente estável no qual podemos viver?”
Uma das primeiras aquanautas, a oceanógrafa já passou mais de 7.000
horas submersa, mergulhou a mais de 1000 metros de profundidade e foi
considerada a primeira Heroina do Planeta pela Revista Time. Poucas
pessoas conhecem tão bem esse universo desconhecido, separado de nós por
um fino espelho d´água, e poucas podem afirmar com tanta certeza que “os
próximos dez anos serão os mais importantes para os próximos dez mil
anos. Seja pelo que fizermos ou pelo que nós não conseguirmos fazer.
Esse é o momento.”














